Idoso que levou mil picadas de abelha no PR recebe alta após uma semana; veneno provocou condição que danifica músculos e pode afetar rins
14/01/2026
(Foto: Reprodução) Foto ilustrativa
Reprodução/TV Gazeta
O idoso de 68 anos que levou cerca de mil picadas de abelha enquanto cortava a grama do jardim da própria casa em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, recebeu alta após passar uma semana internado.
Ele precisou ficar hospitalizado porque, devido à quantidade muito elevada de veneno de abelha, desenvolveu "rabdomiólise". A condição faz com que o músculo sofra dano intenso e libere substâncias no sangue que podem sobrecarregar os rins. Saiba mais abaixo.
As informações foram repassadas ao g1 pelo Hospital Universitário da Universidade Estadual de Ponta Grossa (HU-UEPG), que informou que o homem foi liberado na tarde de segunda-feira (12) após apresentar "melhora significativa" nos exames, ter a função renal preservada e não demonstrar "disfunções associadas".
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O ataque das abelhas aconteceu na segunda-feira anterior, dia 5 de janeiro. Duas sobrinhas dele, uma jovem de 25 anos e uma bebê de 11 meses de idade, também foram picadas, mas ficaram bem. A jovem levou cerca de 20 picadas e a bebê, uma. Relembre detalhes mais abaixo.
A situação mais grave foi a do idoso - que, apesar da grande quantidade de picadas, chegou ao hospital consciente, estável, respirando normalmente e sem sinais de choque, segundo o HU-UEPG.
No entanto, após a rabdomiólise os exames de sangue mostraram "sinais importantes" de lesão muscular, confirmando a gravidade do quadro, diz o hospital.
"Diante disso, o paciente permaneceu internado sob cuidados da equipe de clínica médica. O paciente também foi avaliado pela Odontologia Hospitalar, onde foram identificadas apenas lesões leves nos lábios, sem sinais de infecção. [...] Diante da evolução clínica favorável, recebeu alta hospitalar, com orientações médicas e acompanhamento ambulatorial", aponta o hospital.
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O que é rabdomiólise
O Ministério da Saúde explica que a rabdomiólise é uma síndrome decorrente da lesão de células musculares esqueléticas, com a consequente liberação de substâncias intracelulares na circulação sanguínea.
Isso desencadeia um quadro de início súbito de rigidez e dores musculares, e pode sobrecarregar os rins, órgãos responsáveis pela filtragem do sangue.
O desenvolvimento de rabdomiólise pode ser causado por mecanismos físicos, traumáticos, genéticos ou tóxicos, como: atividade física intensa, compressão muscular, imobilização prolongada, depressão do estado de consciência, uso de medicamentos e drogas, doenças infecciosas, alterações eletrolíticas, toxinas (como a das abelhas), entre outras.
O período de incubação da doença - ou seja, o tempo para o aparecimentos dos primeiros sintomas - é de até 24 horas.
Ataque de abelhas em Ponta Grossa
Idoso sobrevive a ataque de abelhas em Ponta Grossa
O ataque das abelhas aconteceu na segunda-feira do dia 5 de janeiro, enquanto o idoso cortava a grama do jardim da própria casa em Ponta Grossa.
Segundo familiares, há um enxame na calha da casa há anos, mas nenhum outro incidente havia sido registrado anteriormente.
O idoso conseguiu espantar os animais jogando água, mas acabou levando cerca de mil picadas.
Familiares contaram que ele não é alérgico a ferrão - fato crucial para ele ter sobrevivido
RELEMBRE OUTRO CASO: Picada de abelha no pescoço pode ser fatal? Criança morreu com uma única ferroada
Idoso foi atacado por abelhas enquanto cortava grama
Valdecir Galvan/RPC
O que fazer após picadas de abelha
O Ministério da Saúde orienta que, logo após a picada de abelha, a região afetada deve ser lavada com água e sabão e os ferrões devem ser removidos da pele com uma lâmina ou agulha, sem pressioná-los.
"Evite retirá-los com pinças, pois estas podem provocar a compressão dos reservatórios de veneno, causando a inoculação do veneno ainda existente no ferrão", complementa o órgão.
O Corpo de Bombeiros explica que isso se deve ao fato de que os ferrões continuam liberando o veneno gradativamente e, por isso, a retirada interrompe esse processo. A corporação também ressalta que, em caso de ataques, as pessoas devem proteger o pescoço e o rosto com a ajuda de uma camisa ou outra vestimenta.
"Se a ferroada ocorrer na cabeça e/ou pescoço, procure imediatamente auxílio médico", destaca a corporação.
O médico socorrista Rusllan Ribeiro ainda ressalta que em caso de reações mais graves, como grande inchaço e falta de ar, também deve-se procurar imediatamente por atendimento médico. Uma opção é o acionamento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), por meio do telefone 192.
Cuidados com abelhas
Imagem ilustrativa
Denis Ferreira Netto/AEN
O Corpo de Bombeiros destaca que o calor e a florada da primavera influenciam no surgimento de enxames itinerantes e aumento do número de abelhas nas colmeias.
A alta temperatura também deixa as abelhas, vespas ou marimbondos mais agitados e agressivos, e nesta época do ano é recorrente o aumento do número de ataques.
Para evitar problemas, o Corpo de Bombeiros do Paraná recomenda:
Evite movimentos bruscos e excessivos próximos a colmeias;
Não grite, pois as abelhas são atraídas por ruídos, principalmente os agudos;
Evite operar qualquer máquina barulhenta próximo a colmeias. Examine a área de trabalho antes de usar equipamentos motorizados;
Ensine as crianças a se precaver e não matar as abelhas, vespas ou marimbondos;
Pessoas alérgicas a picada de insetos devem evitar caminhadas em áreas de mata, pois para quem é sensível à peçonha, apenas uma picada pode ser suficiente para gerar um choque anafilático;
Afaste os animais domésticos do enxame porque qualquer barulho pode irritar o enxame e desencadear o ataque;
Após a picada, a abelha perde seu ferrão e a bolsa de peçonha e morre. Contudo, o mesmo não se aplica às vespas e marimbondos. Após picar eles estão prontos para atacar novamente;
Em casos de formação de colmeias em residências, o proprietário deve acionar um apicultor especializado para a remoção do foco. Nos casos mais críticos, acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193.
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